Uso dos principios do conectivismo na sala de aula

 

Casos concretos de aplicação do conectivismo na sala de aula. A prática.

O Conectivismo, como teoria da aprendizagem na era digital, traduz-se em práticas pedagógicas que colocam o aluno no centro da sua própria rede de conhecimento, como o lema da Universidade Aberta, o aluno no centro de tudo e à sua volta o conhecimento. Neste caso, aplicando os princípios do conectivismo, o foco é menos na transmissão de conteúdo e mais na capacidade de conectar, curar e avaliar a informação.
 
A seguir, apresentamos 5 casos práticos de como estes princípios podem ser aplicados em qualquer sala de aula, desde o ensino básico ao superior:
 
A rede de pessoas e recursos.
 

 O projeto de curadoria colaborativa (O curador digital)

Objetivo conectivista: Desenvolver a habilidade de curadoria de conteúdo (filtrar e selecionar informação relevante) e a conexão de fontes.
 
Metodologia:
 
1.Definição do tema: O professor lança um tema complexo e atual (ex: "O Impacto da Inteligência Artificial no Mercado de Trabalho").
2.Criação da rede: Os alunos são divididos em pequenos grupos e cada grupo é responsável por curar (selecionar, organizar e comentar) 10 a 15 recursos digitais (artigos, vídeos, podcasts, bases de dados) sobre o tema.
3.Ferramenta: Utilização de plataformas colaborativas (como Padlet, Wakelet ou um blog de turma) para agregar os recursos.
4.Conexão e avaliação: Cada grupo deve justificar a escolha dos seus recursos, explicando a credibilidade da fonte e como o recurso se conecta com os recursos selecionados pelos outros grupos.
5.Resultado esperado: Os alunos não apenas aprendem sobre o tema, mas também desenvolvem um sentido crítico sobre a qualidade da informação e a importância da diversidade de opiniões (Princípio 1) na construção do conhecimento.

A entrevista com um especialista global (A conexão humana)

Objetivo conectivista: Promover a conexão com nós/recursos especializados e a aprendizagem informal.
 
Metodologia:
 
1.Identificação do Nó/Recurso: Os alunos, individualmente ou em grupo, identificam um especialista ou profissional na área de estudo que esteja fora do seu círculo geográfico (ex: um cientista em outro país, um autor de um artigo, um profissional de uma empresa inovadora).
2.Estabelecimento da Conexão: Os alunos utilizam ferramentas digitais (e-mail, LinkedIn, redes sociais) para contactar o especialista e solicitar uma breve entrevista (por vídeo-chamada ou e-mail).
3.Preparação: A preparação da entrevista foca-se nas perguntas que aprofundam o tema e que a informação não esteja facilmente disponível em livros didáticos.
4.Partilha: A informação e as conclusões da entrevista são partilhadas com a turma, enriquecendo a rede de conhecimento de todos.
5.Resultado esperado: Os alunos percebem que o conhecimento é dinâmico e está distribuído, e que a capacidade de criar e manter conexões (Princípio 5) é uma habilidade de aprendizagem essencial.

O desafio da desinformação (A vacina contra as "Fake News")

Objetivo conectivista: Desenvolver o pensamento crítico e a avaliação da rede para combater as "fake news".
 
Metodologia:
 
1.Apresentação do problema: O professor apresenta à turma uma notícia controversa ou uma "fake new" que esteja a circular nas redes sociais.
2.Análise da rede: Os alunos devem rastrear a origem da notícia, identificando os "nós/recursos" (pessoas, sites, grupos) que a partilharam.
3.Contraste de fontes: Utilizando o princípio da diversidade de opiniões, os alunos procuram ativamente fontes credíveis que contradigam ou confirmem a informação.
4.Relatório de credibilidade: O grupo elabora um "Relatório de Credibilidade" que não apenas desmente ou confirma a notícia, mas que também explica como a rede de desinformação funciona e quais os sinais de alerta (ex: falta de fontes, viés emocional).
5.Resultado esperado: Os alunos adquirem competências de literacia mediática e aprendem a tomar decisões informadas sobre a informação que consomem, percebendo que a tomada de decisão é um processo de aprendizagem.

Mapa de conexões multidisciplinares (A visão global)

Objetivo conectivista: Desenvolver a capacidade de ver conexões/ligações entre variados campos do saber e a atualização do conhecimento.
 
Metodologia:
 
1.Tema interdisciplinar: É escolhido um tema que ligue várias disciplinas (ex: "A Ética da clonagem" - liga Biologia, Filosofia, Direito e Sociologia).
2.Mapeamento: Os alunos utilizam ferramentas de mapas mentais e outras que permitam desenvolver e apresentar ideias (como o Coggle ou o Miro) para mapear o tema.
3.Conexões obrigatórias: O professor exige que o mapa inclua conexões com pelo menos três áreas de saber diferentes e que cada conexão seja suportada por um recurso digital atualizado.
4.Apresentação dinâmica: A apresentação do mapa foca-se em explicar as ligações entre os conceitos, e não apenas os conceitos isolados.
5.Resultado esperado: Os alunos deixam de ver o conhecimento em "caixinhas" separadas e desenvolvem a habilidade de pensamento sistémico, essencial para a resolução de problemas complexos no mundo real.

O Portfólio de aprendizagem contínua (A autonomia)

Objetivo conectivista: Incentivar a autonomia do aluno e a reflexão sobre a aprendizagem - Manter as Ligações.
 
Metodologia:
 
1.Reflexão: Periodicamente, o aluno deve escrever uma reflexão sobre a saúde da sua rede: "Quais conexões foram mais úteis? Quais recursos estão desatualizados? Que novas conexões preciso de fazer para o meu próximo objetivo?".
2.Avaliação: A avaliação do professor foca-se mais na qualidade da reflexão e na evolução da rede do aluno do que apenas na nota final dos trabalhos.
3.Resultado esperado: O aluno assume a responsabilidade pela sua aprendizagem, transformando-se num gestor ativo do seu próprio desenvolvimento contínuo, uma habilidade vital para o mercado de trabalho moderno.

O olhar para as respostas da IA e encontrar os erros, as chamadas alucinações da inteligência artificial (Pensamento critico) 

1.Usar uma inteligência artificial disponível e fazer uma pergunta no local das conversas, o prompt: Cada aluno chama uma IA e todos fazem perguntas sobre temas conhecidos.
2.Análise das respostas: Procurar erros evidentes nas respostas e confrontar com outros recursos onde a informação seja fidedigna.
3.Resultado esperado: O aluno deve apresentar os erros e as incoerências encontradas.

Referências

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