Razões para usar ou não usar os principios do conectivismo na educação

O conectivismo


Aqui estão 15 argumentos que justificam o seu uso na educação:

1. Prepara para a mudança constante: O mundo muda rapidamente. O Conectivismo ensina a adaptar-se a aprender coisas novas a toda a hora, em vez de apenas memorizar o que é válido hoje.


2. Valoriza a diversidade de ideias: A aprendizagem é mais rica quando ouvimos diferentes opiniões. O Conectivismo incentiva a procurar e a ligar-se a fontes variadas de conhecimento.


3. Reconhece a tecnologia como fonte de saber: O conhecimento pode estar guardado em computadores e bases de dados. O Conectivismo aceita que as máquinas são parte do nosso processo de aprendizagem.


4. Focado no "Saber Onde Procurar": É mais importante saber onde encontrar a informação de que precisa do que ter tudo na memória. O Conectivismo valoriza a capacidade de pesquisa e acesso.


5. Incentiva a manutenção das ligações: As redes de conhecimento precisam de ser cuidadas. Esta teoria ensina a manter os contactos e as fontes de informação atualizadas para continuar a aprender.


6. Desenvolve a visão global: Ajuda a ligar ideias de diferentes áreas (ciência, arte, história, etc.). Esta capacidade de ver o "quadro geral" é uma habilidade essencial.


7. Promove o conhecimento atualizado: Num mundo em rápida evolução, o Conectivismo tem como objetivo garantir que o que se aprende é o mais preciso e recente possível.


8. Ensina a tomar decisões: O ato de escolher o que aprender e como usar a informação é um processo de aprendizagem contínuo. O Conectivismo treina esta capacidade de decisão.


9. Cria redes pessoais de aprendizagem (PLNs): Ajuda a construir um grupo de contactos (pessoas e recursos) que apoiam a sua aprendizagem ao longo da vida, como uma rede de apoio.


10. Apoia a aprendizagem informal: Reconhece que aprendemos muito fora da sala de aula, como em conversas online, vídeos ou grupos de interesse.


11. Transforma o aluno em curador: O aluno aprende a filtrar e a selecionar a informação mais importante e fiável de entre o enorme volume de dados disponível.


12. Facilita a colaboração global: Permite que as pessoas aprendam e trabalhem em conjunto com especialistas e colegas de qualquer parte do mundo, através da internet.


13. Integra a tecnologia de forma natural. A tecnologia não é um extra, mas sim o ambiente onde a aprendizagem acontece, tornando o uso de ferramentas digitais algo natural.


14. Incentiva a autonomia: O aluno é responsável pela sua própria aprendizagem, decidindo o seu caminho e ritmo. Isto aumenta a motivação e a responsabilidade.


15. Promove a reflexão sobre a aprendizagem: O aluno é incentivado a pensar sobre como está a aprender e se as suas redes de conhecimento estão a funcionar bem (meta-cognição).

 

Ao refletirmos sobre argumentos aqui apresentados também podemos chegar à conclusão que o conectivismo é a metodologia certa para a aprendizagem ao longo da vida. Ao construir uma rede de aprendizagem vamos construindo as bases do nosso saber.

 

 

Mas quais serão os contras ou antes as alternativas que podem também ser complementares, como em tudo na vida, da utilização desta metodologia de educação.

 

constructivism_in_education.png
Construindo o saber

 

  10 Argumentos contra o uso exclusivo do conectivismo e alternativas pedagógicas.

O Conectivismo, apesar de ser a "teoria da aprendizagem para a era digital", não está isento de críticas. Muitos académicos e educadores questionam a sua validade como teoria de aprendizagem e a sua aplicabilidade em contextos pedagógicos tradicionais.

A seguir, apresentamos 10 argumentos sólidos contra a sua utilização como modelo principal na educação do século XXI, juntamente com alternativas pedagógicas que podem superar cada uma das críticas aqui propostas.

1. O conectivismo não é uma teoria de aprendizagem, mas sim um princípio descritivo. Qual será a altgernativa. Cognitivismo e construtivismo. O conectivismo descreve "onde" a aprendizagem ocorre (nas redes), mas não "como" ela acontece ao nível cognitivo. O cognitivismo e o construtivismo oferecem modelos robustos e testados sobre os processos mentais (memória, compreensão, construção de significado) que são a base de qualquer aprendizagem.


2. Ignora a importância da cognição interna. Teoria da carga cognitiva. Ao focar-se na rede externa, o conectivismo minimiza o papel da memória de longo prazo e dos esquemas mentais. A teoria da carga cognitiva foca-se em otimizar a forma como a informação é apresentada para não sobrecarregar a memória de trabalho, garantindo que a aprendizagem interna é eficiente.


3. A dependência excessiva da tecnologia. Devemos usar a aprendizagem baseada em problemas (PBL). O conectivismo falha quando a tecnologia falha ou não está disponível. O PBL foca-se na resolução de problemas do mundo real, usando a tecnologia como uma ferramenta (se disponível), mas não como o pilar central do processo de aprendizagem, garantindo a aplicabilidade em qualquer contexto.


4. Risco de sobrecarga de informação (Infoxicação). Instrução direta e "scaffolding". A ênfase na curadoria de conteúdo pode levar à paralisia cognitiva. A instrução direta, seguida de "scaffolding" (apoio estruturado aos alunos), deve garantir que os alunos dominam os conceitos fundamentais antes de serem expostos à complexidade da rede, prevenindo a sobrecarga.


5. Incrementa a desigualdade digital (digital divide). Pedagogia crítica e educação comunitária. O conectivismo pressupõe acesso universal e competências digitais. A pedagogia crítica de Paulo Freire e a educação comunitária focam-se em nivelar o acesso e em usar o conhecimento local e a realidade do aluno como ponto de partida, em vez de depender de infraestruturas digitais caras.


6. Falta de foco no conteúdo essencial. Currículo estruturado e aprendizagem por domínio do assunto a ser estudado. A prioridade na "conexão" pode levar a uma aprendizagem superficial, onde o aluno sabe "onde" está a informação, mas não a compreende profundamente. A aprendizagem por domínio do saber exige que o aluno atinja um nível de proficiência em cada unidade antes de avançar, garantindo a solidez do conhecimento.


7. Dificuldade de avaliação e certificação. Avaliação autêntica e portfólios de desempenho. Avaliar a "saúde da rede" é subjetivo e difícil de certificar. A Avaliação autêntica (simulações, estudos de caso) e os portfólios de desempenho focam-se em medir a aplicação prática do conhecimento e das competências, que são mais tangíveis e credíveis para certificação.


8. Fragilidade da conexão (conhecimento efémero). Socioconstrutivismo e comunidades. O conhecimento na rede é volátil e pode desaparecer (links quebrados, sites offline, falta de corrente elétrica, etc). O socioconstrutivismo, baseado em Vygotsky, foca-se na construção social do conhecimento em grupos estáveis, garantindo que o saber é "interiorizado" e partilhado de forma mais duradoura.


9. Risco de "filter bubbles" e viés de confirmação. Promover o debate estruturado e o pensamento dialético. A liberdade de conexão pode levar os alunos a ligarem-se apenas a fontes que confirmam as suas crenças. O debate estruturado e o pensamento dialético (Hegel) forçam o aluno a defender e a refutar ativamente pontos de vista opostos, desenvolvendo o pensamento crítico de forma mais rigorosa.


10. Desvalorização do papel do professor. O professor como mediador e um designer de experiências. O conectivismo pode reduzir o professor a um mero facilitador de "links", de recursos. A alternativa é ver o professor como um mediador e designer de experiências de aprendizagem complexas, que cria o ambiente e as regras para que a aprendizagem (seja ela conectivista ou não) ocorra de forma intencional e profunda.

 

 

Referências

Downes, S. (2008). An Introduction to Connectivism.

Downes, S. (2007). Connectivism and Connective Knowledge.

Clark, R. E. (1983). Reconsidering research on learning from media. Review of Educational Research. 

Carvalho, M. J. S. (2013). Proposições e controvérsias no conectivismo. Revista Iberoamericana de Educación a Distancia.

Freire, P. (1970). Pedagogia do Oprimido. Editora Paz e Terra.

José Mota. (n.d.). Conectivismo: uma teoria da aprendizagem?

Kop, R., & Hill, A. (2008). Connectivism: Learning theory of the future or vestige of the past? International Review of Research in Open and Distributed Learning. 

Mindmakers. (n.d.). Conectivismo: o guia sobre essa teoria da aprendizagem.

ResearchGate. (n.d.). DESINFORMAÇÃO E FAKE NEWS NA EDUCAÇÃO. 

Siemens, G. (2005). Connectivism: A Learning Theory for the Digital Age. International Journal of Instructional Technology and Distance Learning.  

Sweller, J. (1988). Cognitive load theory. Educational Psychology Review.

Vygotsky, L. S. (1978). Mind in society: The development of higher psychological processes. Harvard University Press. 


Comentários

Mensagens populares